O intestino é hoje considerado pela comunidade científica o nosso “segundo cérebro”.1 Nos últimos anos têm-se acumulado uma vasta evidência que indica que o estado do nosso intestino tem implicações dramáticas na nossa saúde global.
O intestino abarca cerca de 80% do nosso sistema imunitário, e interage com todo o organismo, especialmente com o cérebro com o qual partilha uma complexa rede neuro-química.2,3
Nele reside a maioria dos microorganismos que habitam o nosso organismo. São biliões de bactérias, que ultrapassam largamente o número de células humanas. Ao conjunto destas bactérias que compõe a flora intestinal dá-se hoje o nome de microbiota intestinal.4,5
A microbiota intestinal é composta por 3 tipos de bactérias: a) pró-bióticas – que exercem efeitos benéficos, b) comensais – podem promover tanto o equilíbrio como o desequilíbrio, e c) patogénicas – podem causar lesões na parede intestinal.6
O que os estudos revelam, é que há uma associação entre o tipo de microbiota e determinados estados patológicos, isto é, o seu desiquilíbrio (disbiose intestinal) em que predominam as bactérias patogénicas sobre as benéficas está relacionado com múltiplas doenças, nomeadamente a obesidade.7
As causas que podem levar à disbiose intestinal são múltiplas: dieta, stress, exercício, genética, alterações hormonais, antibióticos, idade, inflamação, entre outras. No entanto, a mais importante de todas é sem dúvida a dieta, particularmente a ingestão de alimentos processados, cereais e açúcares refinados.8,9
O que nos dizem os estudos acerca da relação entre a microbiota intestinal e a obesidade:
1. Determinadas populações bacterianas da microbiota intestinal estão associadas a uma composição corporal magra, e o seu desiquilíbrio associa-se a aumento de peso e resistência à insulina.10,11,12
2. A microbiota intestinal influencia o armazenamento de gordura e aumento de peso, interferindo na expressão génica, vias metabólicas e inflamatórias, bem como no eixo intestino-cérebro.13, 14
3. Quando ocorre perda de peso há também alteração no tipo de microbiota intestinal. Esta alteração parece estar implicada no próprio emagrecimento e melhoria da função metabólica.15
4. Melhorar a microbiota intestinal através do uso de pré-bióticos (fibras), pró-bióticos ou o transplante fecal, poderá ajudar na prevenção e tratamento de diferentes patologias como a obesidade e a diabetes.16,17,18,19
5. A microbiota intestinal é influenciada pela dieta materna durante e após a gravidez, tipo de parto (vaginal vs cesariana), amamentação e nutrição nos primeiros tempos de vida.20,21
6. A toma de antibióticos no período pré e perinatal aumenta o risco de desenvolvimento de obesidade infantil.22,23,24,25
Portanto, se pretende ter saúde e um peso ideal cuide do seu intestino. Comece pela dieta, o fator que mais influencia a microbiota intestinal.
Pontos-chave:
– Há uma associação entre o tipo de microbiota intestinal e a obesidade.
– De todos os fatores, a dieta é a que mais influencia o tipo de microbiota intestinal.
– Alimentos processados, cereais e açúcares refinados têm um impacto negativo sobre a microbiota intestinal, favorecendo o desenvolvimento de várias doenças, nomeadamente a obesidade.

