Comer pouco engorda

Comer pouco engorda?

Quando decidimos comer menos, engordamos. Porquê?!

Reduzir de forma voluntária a ingestão de calorias na dieta é o método mais eficaz para aumentar de peso a médio e longo prazo. Não acredita? Parece-lhe uma grande contradição, não é? Mas na verdade recomendar o corte de calorias na dieta, particularmente as gorduras, tem-se associado ao aumento do excesso de peso e obesidade que se verifica um pouco por todo o mundo.1

Até soa lógico: se ingerirmos menos energia e gastarmos mais, não armazenamos e até reduzimos a gordura acumulada. ERRADO!

Para além desta ideia menosprezar a inteligência do organismo humano, e toda a sua história de evolução, com adaptações e desenvolvimento de mecanismos de sobrevivência, ao mesmo tempo despreza a nossa fisiologia e a melhor evidência científica disponível a este respeito.

Perante a restrição calórica na dieta o organismo “defende-se”, adaptando-se à nova condição, nomeadamente através de dois mecanismos:

a) redução do gasto energético2,3
b) aumento do sinal hormonal da fome4

O corpo reage desta forma, porque é inteligente, e quer sobreviver.

Imagine o que aconteceria se reduzisse-mos a ingestão calórica diária para metade eternamente e o organismo mantivesse o mesmo gasto energético ao longo do tempo. Exato! Consumiríamos toda a gordura corporal, depois toda a proteína, nomeadamente o tecido muscular, e acabariamos por morrer.

Felizmente, o nosso organismo é bem mais inteligente e complexo, e acciona quase imediatamente os mecanismos de sobrevivência acima descritos, que por outras palavras significam poupar as reservas de energia e procurar mais. Tudo isto com um único propósito: Sobreviver.

Este é o principal motivo pelo qual “fazer dieta” não funciona!

E a rápida recuperação de peso que se verifica sempre que alguém “faz dieta” não é uma questão de falta de força de vontade, mas a nossa natureza a funcionar, mais propriamente as nossas hormonas. E o que elas estão a dizer é: não é essa a solução.

Revendo o ciclo vicioso:
Redução calórica voluntária > perda de algum peso a curto prazo > redução do gasto energético e aumento da fome > recuperação do peso a médio – longo prazo > frustração com os resultados > de volta aos velhos hábitos > aumento progressivo do peso frequentemente para valores superiores aos apresentados previamente ao início da restrição calórica.

Em resumo, a restrição calórica voluntária dura até se tornar insustentável. Sentimo-nos exaustos, frios, com fome 24h/dia e obcecados com as calorias.5,6

E o pior de tudo é que o peso volta sempre,7 principalmente porque a única solução é voltar aos hábitos do passado, que não deviam ser os melhores!

Após 50 anos a ouvirmos a recomendação “se quer emagrecer corte na boca e mexa-se mais”, será que ainda alguém acredita que isso funcione?

Emagrecer não é uma questão de força de vontade, mas sim de ter a informação certa.