Insulina

Insulina: a hormona que nos engorda

O peso não é apenas uma questão de balanço calórico. Se fosse assim tão simples não haveria excesso de peso ou obesidade. Sairíamos do ginásio sempre elegantes depois das contas feitas e queimadas as calorias ingeridas em excesso. Como todos sabemos, isto não acontece.

Muito antes disso, engordar e emagrecer é um processo endocrino-metabólico. Ou seja, regulado por hormonas. Quem o comanda? A insulina.

Quando se fala em insulina a primeira palavra que nos vem à cabeça é diabetes. O que não está de todo errado. A sua descoberta foi o resultado de uma necessidade urgente de tratar os doentes com diabetes tipo 1, uma condição em que o organismo não produz insulina, e a sua sobrevivência depende total e exclusivamente da administração de insulina sintética.

A questão é que a insulina é realmente uma superhormona” e não se fica apenas pelo capítulo da diabetes. Hoje sabemos muito mais acerca das suas funções do que na década de 1920´s em que começou a ser comercializada e cuja descoberta foi prémio Nobel da Fisiologia/Medicina (Banting e Macleod).

De entre várias funções, a insulina é a principal reguladora da utilização, distribuição e armazenamento da energia no organismo. 1 Quando se eleva em demasia promove o armazenamento e impede o gasto da gordura corporal acumulada (ou seja, mais insulina, mais gordura no corpo). Pelo contrário, quando os seus níveis no sangue se mantêm baixos, promove o consumo da gordura acumulada, levando ao emagrecimento. Simples não é!? Deve estar a perguntar: e o que faz a insulina elevar-se em demasia no sangue? A resposta é: açúcar/hidratos de carbono.2

Ao contrário da gordura e das proteínas cujo impacto nos níveis de açúcar no sangue é insignificante, quando comemos pão, massa, arroz, batata, cereais, bolos, bolachas … os níveis de açúcar no sangue disparam, sendo este o principal estímulo para a secreção de insulina pelo pâncreas. Consequentemente, a insulina eleva-se no sangue de forma exagerada, transformando e depositando o açúcar em excesso sob a forma de gordura no organismo. É isso mesmo, a insulina engorda-nos!3,4

Este mecanismo é fruto da evolução do homem, em que parte das calorias ingeridas tinham de ser armazenadas para poder sobreviver a um eventual período de escassez alimentar e fome.

Percebendo este mecanismo, torna-se agora fácil de entender a epidemia de obesidade e diabetes que vivemos atualmente. A abundância de alimento, principalmente derivados de cereais e grãos refinados, aliada ao seguimento das recomendações nutricionais que nos dizem que comer de forma saudável é ingerir 55% das calorias sob a forma de hidratos de carbono têm-nos transformado em verdadeiras máquinas de armazenar gordura! E sem períodos de fome! Andamos há vários anos com a insulina no limite, estamos todos a engordar.

O nosso sistema hormonal está desesperado, e incapaz de lidar com tanto açúcar no sangue, produz mais e mais insulina, que produz mais e mais gordura. Com o tempo a própria insulina deixa de funcionar, num processo que se designa por insulino-resistência.5 O desfecho desta história infelizmente é conhecido de todos, enfartes, AVCs, cegueira, doença renal, neuropatia, elevados gastos em medicamentos, incapacidade funcional, enfim… um desastre!

A verdadeira solução está claramente na mudança alimentar. Resolver a causa, é reduzir a quantidade dos hidratos de carbono ingeridos na dieta. É por esse motivo, e tal como já foi explicado noutro artigo, particularmente nas pessoas que sofrem de excesso de peso/obesidade ou diabetes, uma alimentação baixa em hidratos de carbono (dieta low carb) é a solução lógica e eficaz para o problema, atuando na causa e não apenas nas consequências.

A insulina elevada é hoje reconhecidamente um dos principais marcadores de risco de doença, particularmente doença cardiovascular.6,7,8 Por isso, mantenha a sua insulina baixa!

Pontos chave:

– O peso não é apenas uma questão de balanço calórico, engordar e emagrecer é um processo regulado por hormonas.

– Insulina é a principal reguladora da utilização, distribuição e armazenamento da energia no organismo. Quanto mais insulina mais gordura depositada.

– O excesso de açúcar/hidratos de carbono na dieta e consequente elevação crónica da insulina são os principais responsáveis pela epidemia da obesidade e diabetes.